Quando?



"Nasço amanhã.
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando”
Vinicius de Moraes
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I. “Nem parece que foi ontem que o acontecido aconteceu. Nem parece que o esperado num instante desapareceu. Nem parece que foi lá... Não sei se no fim tudo vai voltar”.
Às vezes é como se o tempo não passasse, como se tudo fosse extremamente igual, e nada mudasse. É assim: nasço, ontem, hoje, amanhã. Daí, morri ontem. Morri hoje. Morrerei amanhã. Recriando-me a cada momento, a cada pensamento, a cada saudade. A cada lágrima, riso, a cada suspiro, a cada pedido de socorro. Isso não me entristece, e também não me dá alegria. Tem horas que cansa apenas, porque a vida é senão uma seqüência de sustos (ou surtos). Um manicômio, porém sem psiquiatras.
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II. “Que povo aprova o que você fez?!”
Aí, apelo para algum santo. Algo fora daqui, de bem longe. Oro pelo povo, por mim, para que tudo mude, ou o mínimo mude. Aí peço a ele uma coisa hoje, que não a mesma de ontem, de um modo hoje, de outro jeito já, já. Te odeio! Eu te odeio? Te odeio e eu te odeio: Te amo. Me ajuda, caramba! Prometo que jamais vou gritar, ofender, xingar, cobrar, brigar pelo simples fato de brigar. Que não irei mais tomar calmantes, placebos, comer urubus. Que não vou mais chorar, e chorar e querer dormir depois. Mas, ressalvo que sou fraco, e suplico que perdoe minhas fraquezas: sou bonzinho pra esconder minhas raivas. Sou amigo porque sou inimigo. Inimigo, para que gostem de mim. Hoje uns amigos, depois colegas, inimigos, amanhã amigos de novo. Geizas, Vanessas, Polianas Carols, Paulas, Darlons, Joninhas, Janaínas, Diógenes(s), Flávias, Deleys, Pakitos, Josés, Marcelos Ramons, Juniors, Davis, Dienes, Corrinhas, Allicks, Lizis, Natálias, Jorges, Tiagos, Mazés, Safiras... Um moço sozinho, um moço coletivo, uma esperança em mim mesmo. Estou longe e perto. Sou perto e bem longe. “Viver é muito perigoso... Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar” (Guimarães Rosa).
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III. “Que santo vai brigar por você?!”
Mas, como sempre, tudo muito igual: cervejas, papos ácidos, venenos. Em tentação, caio, rasgo a cara, corto a boca. Levantam-me, sentam-me na cadeira. “Por favor, não me elogiem. Pois, um golpe fatal” , penso, digo. Levanto, vou ao banheiro, caio no chão sujo, mijado, vomitado: podridão humana. Vexame de enrubescer o mais feliz dos homens.
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IV. “Mas o mundo é tão pequeno, fatalmente vai me ver passar.”
ATÉ QUANDO?

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