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“O que as horas guardam nos espaços do contra-tempo?”

tumblr_ljp1npGcYX1qzpe8uo1_500hoje, 10/05/2011, após ter assistido o filme “o melhor amigo da noiva” lembrei que ganhei, em 2006, um origami parecido com o do lado.

como no filme, há exatos dois anos, vivi situação semelhante e disso também recordei. por quê?! porque talvez minha vida seja mesmo de lembranças, porque dificilmente de homens como eu se arranca a lembrança de ter-se apaixonado perdidamente, sofrido sozinho, calado ao lado de uma pessoa que nem sabia que era amada em dor.

dissimulei desejos, ciúmes e lágrimas quando elas insistiam demasiado cair. e fui forte, frio e calculista como nunca imaginei que fosse, muito embora, pra lá de bêbado, jamais pudesse esconder o sofrimento de quem sempre clamou pelo o amor em pistas de dança, pagando com a ingenuidade tudo pra não ficar distante da pessoa que imaginei amar durante a época, pois igualmente achei que a vida da gente vai em erros, como um relato sem pés nem cabeça, por falta de sisudez e alegria.

mantive esse sentimento durante alguns meses por acreditar mais nos versos de camões que na realidade do amor cabível aos mortais como eu. e aí sempre fantasiei muito em meninice, em cafonice, em desespero o meu, em desmazelo, amor.

quis minha vida como num enredo dessas comédias românticas mela-cuecas, segundo as quais se sofre até não mais poder para se ter um final feliz depois. entretanto, esse final feliz nunca chegou. não sei se em virtude de covardia minha, por ventura. ou se porque nunca era pra ter acontecido mesmo.

e o bibelô ganhado na época em que pus meus pés pela primeira vez numa faculdade, noutra cidade, ainda mais contra mim que esta do Sertão paraibano, novamente se mostrava inteiro de significado, o qual sequer vislumbrava antes, mas que agora se traduz em acalantos de guimarães rosa:

"a gente só sabe bem aquilo que não entende. meu coração é que entende, ajuda minha idéia a requerer e traçar. digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia. Sentei em cima de nada. E eu cri tão certo, depressa, que foi como sempre eu tivesse sabido aquilo. Se o senhor já viu disso, sabe; se não sabe, como vai saber? São coisas que não cabem em fazer idéia..."

e nessa vida não podemos remoer o passado, senão frear esse passo e seguir em frente, ainda que a incerteza do amor pleno ouse pertubar o otimismo. pois é possível voar pelo menos em pensamento, mesmo que não se saiba pra que rumo ou desatino de doer.

agora não peço por muita coisa tampouco lamento a perda de outrora. e como nada mais além do que preciso, só quero ser forte seja no meio do caminho ou, principalmente, no final dele. poder me soltar. algum dia. sem errar sempre.

e, não, não repetiria tudo outra vez, se preciso fosse, meu ex-amor.

abraço!*

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