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é…

 
não, não vai ser ninguém. minha vida não precisa dessa sacudidela gratuita. podem até tentar. todavia, se guardo esse caos dentro de mim, ano após ano do mais absoluto silêncio, é justamente para não ter de acatar dizeres os mais sem razão sobre minha pessoa, embora estes, acaso ditos, invadam meus tímpanos e, em vão, sequer estrago cause. há quem desconfie e deixo que assim o seja. caio na esparrela. e enfeito-me e rio, um riso meu mais salpicado, mostro os dentes, por inteiro, inclusive as ‘barroquinhas’ que na bochecha se delineiam. e com a língua brinco, faço estripulias, saboreio o gosto de fel mais doce que me oferecem, simples, prático ante os sucedâneos cotidianos, e assim por diante: despudoradamente mato cada palavra, cada vírgula, sujeitos que não eu, predicados não meus, cada ponto de continuísmo e os finais. catarse! provas contra mim mesmo, jamais. e, por isso, também não sou quem dirá sobre o alheio. não quero, não preciso. isso não me cabe. cada um faz festa no coração da melhor maneira que lhe aprouver. e se me perguntam?! falta-me intimidade para soltar verdades das mais verdadeiras… daquelas com as quais se brinca, desabafa sem se preocupar com o impacto que causará. não me dou ao luxo de perder-me de mim: infelizmente. sou estranho. é…

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